Lá se pensam, cá se fazem.

Plantei.eu

Plantei.eu consiste na criação de uma plataforma on-line europeia de promoção e suporte da troca de sementes e de informação, contribuindo para a preservação da biodiversidade agrícola, do património vegetal e dos conhecimentos e saberes associados. A sua criação irá permitir aos utilizadores encontrar facilmente informação sobre usos e técnicas de conservação de sementes, sobre plantas, seus usos e propriedades; promover a troca de sementes, de práticas e conhecimentos. Deste modo, é promovida a optimização de recursos já existentes nas comunidades locais e a participação activa das pessoas na construção da teia alimentar local. O uso da plaforma permitirá aos utilizadores oportunidades de integrar redes e de aceder a informações e contactos que actualmente não se encontram facilmente acessíveis. A par do aumento de trocas que se pretende estimular, esta acessibilidade facilitará a criação de condições para os utilizadores poderem concretizar projectos e organizar iniciativas que permitam cultivar grande parte do seu alimento. A concepção deste projecto parte do reconhecimento de que os sistemas de produção alimentar industriais e modelo de consumo associado têm contribuido para o agravamento das múltiplas crises que a sociedade contemperânea enfrenta: a económica-financeira, que a nível local/regional aparece associada à degradação dos circuitos de comércio de pequena escala, resultando numa crise social onde a qualidade de vida de pequenos agricultores e dos meios rurais é particularmente afectada; a material e energética, com a delapidação de importantes recursos minerais não renováveis como o petróleo (essencial para a produção industrial, operação de máquinas agrícolas e distribuição) ou o fósforo (nutriente essencial e usado de forma maciça na agricultura industrial); a ecológica, com a degradação de ecossistemas e biodiversidade associados à expansão dos monocultivos agrícolas e florestais; e da saúde humana, onde, em particular nos países desenvolvidos, se manifestam desequilíbrios nutricionais associados à destruição das culturas e hábitos gastronómicos. A centralidade do actuais sistemas alimentares industriais torna-os particularmente vulneráveis às crises acima referidas. Tratam-se de sistemas pouco resilientes a alterações do meio (como por exemplo as alterações climáticas), que, na ausência de algum dos inputs (por exemplo, divisas, petróleo) rapidamente resultam em problemas de acesso aos alimentos e resultante instabilidade social. A par deste cenário, assistimos a uma multiplicação de iniciativas descentralizadas, que propõe alternativas ao modelo actual de consumo e produção intensiva de alimentos por parte da sociedade civil e diversas organizações. Estas iniciativas, que se podem classificar como agroecológicas e que assentam frequentemente em conceitos de cooperação e partilha, incluem iniciativas como hortas familiares, hortas comunitárias urbanas, eventos de troca de sementes, associações e redes de preservação de sementes, entre outras. Contudo, estas iniciativas carecem de uma plataforma onde possam ser sistematizadas, articuladas e divulgadas, para que continuem a multiplicar-se, fazendo-o de forma concertada e em lógica de sinergias entre os diversos actores envolvidos (cidadãos, consumidores, produtores, viveiristas, investigadores, associações etc.). Torna-se cada vez mais pertinente e necessária a agregação destes diferentes esforços de forma a optimizar recursos já existentes, construir soluções integradas e permitir uma maior inteligibilidade sobre as mudanças e dificuldades que as sociedades atravessam actualmente. Neste sentido, o projecto tem como objectivos principais: i) Desenvolver ferramentas digitais que facilitem a troca de sementes/plantas (com destaque para espécies autóctones e variedades locais, de polinização aberta), a partilha e promoção de conhecimentos, saberes e práticas agroecológicas associadas; ii) Conceber e implementar uma agenda de eventos sobre troca de sementes, bem como soberania e segurança alimentares; iii) Promover a co-criação de uma rede de troca de sementes entre cidadãos, consumidores, produtores, associações e outras iniciativas; iv) Sistematizar e disponibilizar informação que possa ser usada para fins de investigação e de criação de projectos neste âmbito.

Sara Rocha

Visionário
Coimbra, Portugal

Alexandre Castro

Facilitador
Lisboa, Portugal

João Bolila

Facilitador
Bedford, Reino Unido

Miguel João Pinheiro Soares Rocha

Facilitador
Montemor-o-Novo, Portugal

Gualter Barbas Baptista

Comunicador
Witzenhausen, Alemanha

Jorge Gonçalves

Comunicador
Montemor-o-Novo, Portugal

Leonor Coimbra

Facilitador
Lisboa, Portugal

Nidia Fernandes

Facilitador
Montemor-o-Novo, Portugal

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