Lá se pensam, cá se fazem.

"Se essa rua fosse minha..."

NOTA PRELIMINAR: Em demasiados lugares é evidente a negligência, a falta de ambição e de investimento na realização, utilização e manutenção da RUA. Este facto ilustra a contradição entre a ausência de trabalho para arquitectos e planeadores do espaço público e uma forte necessidade; e demonstra a incapacidade de promoção de novas estratégias para a transformação e activação dos espaços públicos. É preciso viver a rua de forma positiva, reconhecendo e explorando o seu valor, e para isso é necessário sensibilizar e trabalhar com os representantes do poder local, mas também com os seus utilizadores, cidadãos e actores. DEFINIÇÃO: "Uma RUA é normalmente entendida como um espaço público no qual o direito de ir e vir é plenamente realizado". Uma RUA é um canal, uma ferramenta, uma infra-estrutura de mobilidade física fundamental. Através da RUA cada um de nós move-se do seu espaço "A" para o seu espaço "B". Na RUA podemos andar, podemos parar, podemos encontrar, podemos conversar, podemos descansar. A RUA é um espaço de suporte e valorização ou desvalorização da parcela pública ou privada. A RUA é um espaço de múltiplas velocidades, infra-estruturas e actores com enorme impacto na vida de todos nós. A RUA é um elemento vital das nossas cidades. QUESTÃO: Será que damos o devido valor à RUA? Será que “tiramos” da RUA tudo o que ela tem para nos dar? A RUA E OS SEUS “INGREDIENTES”, NÍVEL-1, "AS REDES INVISÍVEIS": - a água, - os esgotos, - o gás, - a electricidade, - as comunicações, - … NÍVEL 0, “O SUPORTE E A SUA MATERIALIDADE”: A RUA suporta diferentes velocidades, circulações, funções e materiais: - a circulação pedonal de pessoas de todas as idades e cores: de 0 a 5km/h; - a circulação sobre rodas de malas, patins, skates, carrinhos de bebé, bicicletas: de 0 a 30km/h; - a circulação sobre rodas de motas, carros, estacionamento, cargas e descargas, recolha de lixo, veículos de limpeza, de transporte público, de segurança pública…: de 0 a 50km/h; - outras funções específicas como mercados, festas, exposições…: de 0 a 5km/h; - … NÍVEL +1, "AS REDES VISÍVEIS E SENSÍVEIS": - o ar e sua qualidade, - a luz natural, - a visão do céu, - as árvores, o seu oxigénio e a sua sombra, - a iluminação nocturna, - o mobiliário urbano, - a sinalização vertical e horizontal, - as pessoas, seus actores e utilizadores, - … Todos estes “INGREDIENTES” que permitem o funcionamento melhor ou pior da nossa vida privada e colectiva, constroem a imagem das nossas cidades e são finalmente espelho da nossa sociedade. As RUAS que ocupam um espaço físico determinado, representam diferentes actores e postos de trabalho, representam a saúde pública, reflectem o nosso grau de exigência, de organização, eficácia, visão, planeamento, projecção e inserção dos vários elementos da nossa comunidade. As RUAS são uma parte demasiado importante do cenário das nossas vidas para serem esquecidas. - é aceitável ruas não terem passeio? - é aceitável ter passeios de 40cm ou menos? - é aceitável ter passeios com uma inclinação que “empurra” os seus peões para “o meio da estrada”? - é aceitável ter ruas cheias de buracos…? - é aceitável ter carros nos passeios e pessoas na estrada? - é aceitável ter lugares para estacionamento e não para as árvores produtoras de oxigénio e de sombra? - é aceitável…? CONCLUSÃO: Por tudo isso o projecto "se essa rua fosse minha..." pretende: - defender a rua, - estimular e activar a rua enquanto vector espacial, social, humano, económico, ambiental, solidário, local de debate e de construção de projectos mas sobretudo de processos humanos colectivos, - implicar a rua de forma consciente na vida de todos nós, - “acordar” a rua e os seus cidadãos. A rua é "minha" mas é principalmente de todos nós!!!

Maria Joao PITA

Visionário
Paris, França

Pedro Marques Alves

Facilitador
Setúbal, Portugal

Pedro Aguiar Mendes

Comunicador
Lisboa, Portugal

Pedro Viana Botelho

Comunicador
Riyadh, Arábia Saudita

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