Lá se pensam, cá se fazem.

FAMÍLIA 2

***** FAMÍLIA 2 - UM MOVIMENTO DE APOIO FAMÍLIA-A-FAMÍLIA ------------------------1. PROBLEMA----------------------- Todas as famílias estão sujeitas a enfrentar situações de dificuldade como o desemprego, hospitalização, etc. Quando a estas dificuldades se junta a inexistência de uma rede de suporte familiar e de amigos de confiança – problema que, segundo a OCDE, atinge 15% da população Portuguesa – existe uma forte probabilidade de surgir uma crise familiar com a qual os pais não conseguem lidar. Caso esta crise não seja atacada atempadamente, as famílias estão sujeitas a viver num ambiente de grande instabilidade que em última análise pode levar à separação das famílias (perda de custódia dos filhos). Esta separação implica muitas vezes a institucionalização das crianças, o que para além do enorme impacto negativo nas crianças e pais, resulta num custo para o estado de mais de 24.000€ por criança institucionalizada, segundo dados do Ministério da Segurança Social. Por último, em Portugal, não só o contexto económico e social actual tem vindo a agravar o problema, resultando no aumento do número de crianças separadas das suas famílias (+8% relativamente a anos anteriores, segundo dados do Ministério da Segurança Social), como as soluções existentes na sua grande maioria apenas actuam quando a crise já se encontra num estado avançado, em detrimento de uma abordagem mais preventiva. ------------------------2. SOLUÇÃO------------------------ FAMÍLIA 2 – Movimento de apoio família-a-família. Queremos criar um movimento de voluntários que permita a famílias que se encontrem isoladas e a passar por momentos de crise, estabelecer uma “rede de suporte” permanente que aumente a sua capacidade de lidar com este tipo de situações no futuro. Isto permitirá evitar a perpetuação e agravamento daquela e de futuras situações de crise, e consequentemente evitar que famílias se separem e crianças sejam institucionalizadas. Esta “rede de suporte” será denominada FAMÍLIA 2, pois os nossos voluntários assumirão o papel de “Segunda Família”, numa dinâmica de relação “família-a-família”. Esta “rede de suporte” é também muito mais do que apenas uma solução de curto-prazo. O nosso grande objectivo é que esta rede se estabeleça de forma permanente, isto é, para além do período de crise. Nesse sentido vamos criar as condições necessárias para que as famílias apoiadas venham a re-integrar o movimento, mas desta vez como voluntários. Ou seja, as famílias inicialmente apoiadas irão tornar-se (futuramente) na FAMÍLIA 2 de outras famílias e desta forma irão criar novos laços com outras famílias. Estaremos perante um ciclo-virtuoso em que famílias apoiadas irão tornar-se elas mesmas no suporte de outras famílias! Isto, porque estamos profundamente convictos que todos – sem excepção – têm o poder de, independentemente dos seus recursos, ser um agente de mudança. Assim, e dentro do espírito de funcionarmos como uma família, os nossos voluntários irão assumir diferentes papéis: “IRMÃOS 2” – Adultos que vão encorajar, orientar e acompanhar uma família, atenuando não só as consequências da crise, mas também estabelecendo as bases de uma relação próxima e de longo-prazo com a família; “PADRINHOS 2” – Adultos que vão partilhar bens necessários com uma família (por exemplo ferramentas ou móveis); “PAIS 2” – Casais que vão estar disponíveis para receber temporariamente (no máximo 1 mês) em sua casa as crianças de uma família, apenas quando o bem-estar dos filhos estiver em risco e desde que isso ajude os pais a focarem-se na resolução dos seus problemas. Todas as intervenções serão coordenadas pelos “MENTORES” que serão profissionais ou voluntários com experiência na área social e que irão actuar como elo de ligação entre voluntários e famílias em crise, fazendo um diagnóstico, um acompanhamento, e a avaliação do impacto nas famílias. -------------3. SUSTENTABILIDADE E REPLICAÇÃO------------- Tendo a ambição de replicar a solução não só à escala nacional, mas também à escala global, delineámos uma estratégia de crescimento baseada num modelo de forte descentralização, que nos permita manter uma estrutura sustentável do ponto de vista operacional e financeiro. Do ponto de vista da identificação das famílias que necessitam de suporte, iremos cooperar activamente com as instituições que estão no terreno (ex. Polícia, Igrejas, Hospitais, Segurança Social, ONGs, etc.) para que estas nos indiquem os casos em que podemos intervir. Do ponto de vista da angariação dos voluntários, iremos criar "Comunidades FAMÍLIA 2" que funcionarão como “bolsas” de voluntários. De momento, vemos estas Comunidades a nascer em Escolas, Paróquias, Universidades ou inclusivamente nas próprias casas de algumas pessoas. Estas Comunidades serão criadas e coordenadas por uma equipa voluntária de “PIONEIROS” que serão um pequeno grupo particularmente motivado para criar uma “Comunidade FAMÍLIA 2” a nível local. Para facilitar o processo de criação destas “Comunidades FAMÍLIA 2” vamos criar um KIT de implementação que incluirá um manual de implementação, um guia de intervenção e materiais de comunicação. Este KIT será distribuído às equipas de “PIONEIROS” acompanhado de uma cuidadosa formação e de um suporte continuado. Desta forma, estas equipas estarão aptas a recrutar e formar novas “bolsas” de voluntários, e a acompanhar as intervenções efectuadas pelos seus voluntários na sua “Comunidade FAMÍLIA 2”. Do ponto de vista da sustentabilidade financeira de médio-longo prazo, os custos operacionais não serão muito elevados, já que o FAMÍLIA 2 funcionará de forma altamente descentralizada, operando essencialmente como intermediário. Para financiar esta estrutura pretendemos criar uma “Rede Alumni” de ex-famílias apoiadas. Esta “Rede Alumni” terá dois objectivos. Por um lado irá fortalecer ainda mais a rede de suporte destas famílias, promovendo o contacto com outros voluntários e com outras famílias apoiadas (através de convívios, etc.). Por outro lado irá permitir financiar a estrutura de custos operacionais no longo-prazo, pois para se juntarem a esta rede, as famílias apoiadas deverão pagar uma quota em dinheiro, que apesar de ter um valor simbólico, será suficiente para financiar a estrutura de custos. No curto-prazo, fase piloto, pretendemos contar com o apoio de fundações e mecenas individuais.

Luis Fonseca

Visionário
Genebra, Suíça

José Filipe Silva

Comunicador
Lisboa, Portugal

Graça Fonseca

Facilitador
Porto, Portugal

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