Lá se pensam, cá se fazem.

Projeto PÁ

As crianças e os jovens constituem cerca de 15% da população europeia. E a maior parte destas crianças vive em cidades. No entanto, as cidades estão desenhadas quase sempre sem contar com elas. Como é para uma criança viver na cidade? Nas cidades, o carro é o rei. O espaço para circulação e estacionamento automóvel é muito maior que o espaço reservado para as crianças. Que espaço existe na cidade para que as crianças possam brincar? As cidades são, na sua grande maioria, um local hostil à criança, pouco adaptadas às suas necessidades. A mobilidade das crianças depende de deslocações a pé, em bicicleta, em transportes públicos ou de um familiar que lhes sirva de motorista. A dependência dos pais reduz a facilidade da criança em se adaptar a situações novas e a sua capacidade de socialização. Deste modo, as crianças têm perdido, ao longo dos tempos, o direito a crescerem num contexto que alimente a sua autonomia. O direito de acesso das crianças à cidade é essencial, especialmente se considerarmos que o futuro da cidade depende delas. A mobilidade autónoma das crianças promove a sua autonomia intelectual e a sua saúde. É por isso necessário promover uma cidade que conceda à criança mais autonomia. Para além de que o que é benéfico para a criança é benéfico para todos os cidadãos. O Projeto PÁ, Pequenos Arquitetos pela Mobilidade, pretende levar as crianças a participar na requalificação da sua própria cidade, construindo uma plataforma que lhes permita decidir sobre o que as afeta. Alimentando o enorme potencial intelectual e criativo das crianças, é possível promover a aprendizagem através de uma experiência significativa, que envolva diretamente a criança e o mundo onde vive, contribuindo assim para a educação de jovens mais confiantes, empreendedores e inclusivos. A plataforma de trabalho, onde as crianças realizariam análises urbanas e propostas de ação e requalificação urbana, seria apoiada por uma estrutura física e humana (arquitetos, professores, sociólogos, polícias, pais, etc.). A ação seria iniciada por uma política de gestão dos caminhos escolares por ser o percurso realizado mais vezes, pelas crianças, dentro da cidade. Mais tarde, a ação da plataforma estender-se-ia a outros espaços da cidade. Acreditamos que este projeto propõe a construção de uma sociedade futura mais ativa, mais autónoma e mais inclusiva.

Joana Madeira Ramos

Visionário
Barcelona, Espanha

Cristiana Ferreira Esteves

Facilitador
Lisboa, Portugal

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