Lá se pensam, cá se fazem.

KooLtiva-te!

Actualmente, a educação é ainda a base de qualquer sociedade. O que aconteceria às gerações vindouras se a sociedade perdesse todo um sistema de transmissão de valores, da Cultura, da História e do conhecimento empírico e científico? Neste sentido, a educação está inerente a qualquer processo de desenvolvimento de uma sociedade. Os nossos pais, os nossos avós, os nossos professores, as nossas experiências, e a constante procura de uma resposta e de soluções para os problemas que surgem, demonstram que existem diversos educadores e diversas formas de educar. E que a Educação está na base do crescimento e da evolução societal. Actualmente, atribuímos a Educação ao sistema formal que sustenta e cria condições para a aprendizagem do conhecimento científico. O sistema ensinou-nos ao longo dos tempos que quem estuda tem melhores oportunidades de trabalho, é mais inteligente e bem educado, e que consegue outras oportunidades (económicas, materiais e sociais). Ao longo dos anos as sociedades têm evoluído para priorizar a Educação para o Crescimento em detrimento de uma educação integral e holística... Para o desenvolvimento do indivíduo todos os espaços são educativos: o próprio ser humano consegue apreender por experiencia própria, tem capacidades naturais que o impulsionam a procurar a o conhecimento e é capaz de aprender ao longo da sua vida, consoante as suas experiências. A nossa sociedade apresenta uma visão limitada da educação pois relaciona-a com espaços circunscritos como a escola e o seio familiar. Associada esta perspectiva encontramos um cenário de incertezas e dúvidas face à capacidade do país proporcionar, através da Educação, respostas de emprego e de perspectivas económicas. Os jovens de hoje em dia já não acreditam que a escola pode melhorar as suas vidas e trazer um “bom” futuro. O sistema educativo formal é assim um sistema que não critica mas replica, a um sistema que olha para os alunos como números e não como crianças ou jovens com diferentes personalidades, diferentes competências e diferentes oportunidades, continuando a alimentar um modelo que tem por base uma sociedade industrial, de reprodução em massa. Neste processo estamos a perder a sabedoria popular, as artes e a cultura (tradições e novas expressões artísticas e culturais), Valores, a capacidade crítica e de análise dos problemas. O sistema de educação formal, por si só, não pode preparar as novas gerações para os desafios do futuro e para a procura a resolução de problemas: para a importância da sustentabilidade ambiental, o impacto do consumismo, para as interdependências e assimetrias cada vez mais acentuadas de um Mundo que acabou de entrar no período de revolução tecnológica. O que propomos não é, no entanto, um abandono desse sistema, mas antes uma complementaridade. A aprendizagem de um programa formal de conteúdos não é, hoje em dia, suficiente para acompanhar as alterações globais e constantes que vão rodeando a nossa sociedade. Para compreender na essência a “Comunidade” em que nos inserimos é preciso reflectir, apoiar o sistema educativo actual complementando-o, com estratégias de educação experiencial, incitando o pensamento crítico, a liberdade de expressão e de pensamento, e um reforço dos diferentes saberes (saber – Saber, saber – Ser, saber – Fazer, saber - Pensar). Estratégias que exigem mais tempo, mais comunicação, mais interacção e mais pensamento crítico do que nos sistemas formais. Estimular esta liberdade de pensamento e consciência do papel que a juventude tem no mundo, utilizando as potencialidades de cada um, possibilitará um maior desenvolvimento social. Mas como criar num mundo globalizado uma consciência cívica que não limite jamais a exploração e identificação do indivíduo e daquilo que o rodeia? Propomos então um programa pedagógico que favorece as experiências, métodos educacionais baseados na relação aberta entre Adultos/Jovens, a existência de um espaço comum, democrático que promova a auto-aprendizagem cooperativa e que seja dirigido num modelo de auto-gestão. Pretendemos a criação de um espaço gerido por jovens, que possa ser um espaço de reflexão, organização e exposição de ideias. Promovendo actividades diversas, desejamos que se este espaço seja um espaço transformacional e de criação de uma comunidade de pensadores sobre a sociedade. Propomos a criação de um espaço multi-dimensional, um espaço de educação global e de educação para a mudança, com abordagens intergeracionais, participativas, democráticas e auto-geridas, multifacetadas e interligadas. Encaramos esta oportunidade como um complemento importante para o desenvolvimento do indivíduo, correctamente orientado para o respeito por si próprio e pelo próximo, e de acordo com a sua consciência cívica e identidade. O trabalho de construir um mundo mais sustentável requer uma juventude transformada. Mais autêntica, para desenvolver os seus talentos e assumir o seu papel numa sociedade globalizada. Demonstrar que uma Educação direccionada para o Desenvolvimento baseada na reflexão sobre os Valores, a Equidade, a Liberdade, a Democracia e o Conhecimento, são ferramentas indispensáveis para que os jovens se tornem melhores cidadãos, mais responsáveis, empreendedores e confiantes da sociedade que constituirão.

Vânia Lopes

Visionário
Bruxelas, Bélgica

Luciana Almeida

Comunicador
Bruxelas, Bélgica

Soraia Veludo

Facilitador
Lisboa, Portugal

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