Lá se pensam, cá se fazem.

Emigrarte

É cada vez mais impossível falar de Portugal sem falar de emigração. Todos os dias sai uma nova sondagem, um novo estudo, uma nova percentagem. No meio de toda esta fantasmagoria associada a esta temática, poucos são aqueles que conhecem a sua variedade, riqueza, as suas estórias. Se agora se associa mais a emigração a Portugal na sua globalidade, e não apenas às zonas rurais, convém relembrar que licenciados e não licenciados, jovens e menos jovens, pais e mães, filhos e avós, das zonas rurais continuam a sair dos lugares onde cresceram, que se enchem agora como outrora de vazio. Se os habitantes já eram poucos, muito menos o são agora. A distância cria distância e incompreensões, o português passa a não ser considerado como tal assim que ultrapassa a fronteira, o emigrante não conhece o português, o português não conhece o emigrante. Para lutar contra este afastamento forçado, dar alguma alegria a quem ficou no país, fortalecer os laços entre emigrantes e portugueses, para reabilitar espaços abandonados pelo tempo ou pelas pessoas, que morreram ou emigraram, o nosso projeto terá como elemento central, apaziguador, reconciliador, a arte urbana. Várias famílias da aldeia do Outeiro do Louriçal (cerca de 250 habitantes mais 150 no estrangeiro), situada na freguesia do Louriçal, no concelho de Pombal, emigrantes (de todas as categorias socioprofissionais), ex-emigrantes, imigrantes e famílias com pessoas próximas no estrangeiro, convidarão em suas casas respetivas alguns dos maiores artistas nacionais e internacionais do género. A ideia é a seguinte : cada artista deverá retratar a experiência da emigração vivida por cada família, depois de ter convivido e vivido com ela, nos muros das suas casas. Uma ideia aplicável em muitos lugares do país (para as próximas edições) e com ambição internacional, pensada por Mickaël de Oliveira, lusodescendente, mestre em Estudos Lusófonos pela universidade Paris Sorbonne Paris-IV, ex-jornalista reconvertido no marketing dos media, na qual acreditaram Magali Madeira, lusodescendente, mestre em comunicação pela Ecoles des Hautes Etudes en Sciences de l’Information et de la Communication (CELSA-Sorbonne), assessora de comunicação numa estrutura francesa pública, e Lara Seixo Rodrigues, arquiteta de formação, fundadora do festival de arte urbana da Covilhã WOOL e do projeto LATA 65.

Mickaël C. de Oliveira

Visionário
Groslay, França

Lara Seixo Rodrigues

Comunicador
Lisboa, Portugal

Magali Madeira

Facilitador
Paris, França

Comentários